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segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Nossa trajetória

... nossa trajetória por este mundo, a vida que levamos em cidades, ruas, casas, salas e na natureza consiste em nada mais que uma busca de um sentido secreto que pode ou não existir.
Orhan Pamuk

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Com Sabor De Terra - Alcy Cheuiche

Esse livro permite viver por algumas horas o prazer de tradições, sabores, histórias, cheiros e imagens dos campos do Rio Grande do Sul. Por isso, vale a pena.




Também se aprecia o jeito de falar que se desenvolve na região como arte viva. Aqui, é o próprio autor contando sobre como João Vargas se preparava para declamar:

Logo, várias mãos se espicharam e ele escolheu a que lhe oferecia uma guampa de cachaça. Deu uma golada, limpou a boca com as costas do braço e foi chamando para si a atenção da rapaziada barulhenta. Quando o guitarreiro tirou os primeiros acordes da milonga, o velhito segurou o pala com a mão direita e começou a declamar.

E agora, o próprio João Vargas:

Ninguém me toca por diante,
tampouco não cabresteio,
eu me empaco, me boleio,
e não saio nem com sinuelo,
tourito de outro pelo
não berra no meu rodeio.  

O livro é ainda uma coleção de histórias e citações de intelectuais do Brasil e do mundo.

Às vezes, boas leituras são um debate com o leitor. São provocações à nossa crítica. Esse livro me deu pelo menos duas.

Uma foi esse elogio a Sartre:

Para mim, Sartre brilhou em toda sua plenitude no dia em que se recusou a aceitar o Prêmio Nobel de Literatura... Sartre recusou o prêmio, com seu volumoso cheque anexo, porque não queria ser um escritor rotulado...

A pergunta que, para mim, decorre naturalmente desse elogio a Sartre é: não teria ele brilhado ainda mais se houvesse aceitado o prêmio, gentilmente pedido para não ser rotulado, talvez no tradicional e famosíssimo discurso de recebimento da honraria, e doado o cheque volumoso para a caridade ou para a pesquisa, já que podia abrir mão de tanto dinheiro? Não se trata de uma oportunidade perdida de transferir riqueza de onde sobra para onde falta?

A segunda foi a estória, que eu já ouvira algumas vezes, do executivo estereotipado que tenta convencer um descansado e tranquilo pescador a trabalhar pesado para ficar rico e poder viver descansado e tranquilo. Um conto que me parece uma versão daquela generalização aconchegante: "o rico é um imbecil triste, o pobre é um sábio feliz."

Para quem não conhece a estória ou nenhuma variação dela, aqui vai um resumo: o executivo resolve pescar para descansar. Compra equipamento caro e sofisticado, senta na frente da água, usa sua tecnologia de ponta de varas e iscas artificiais, mas não consegue fisgar nada. Então aparece um pescador humilde com uma varinha barata, iscas naturais, rapidinho pesca uns poucos peixes e começa a caminhar para casa. O executivo critica a falta de ambição do pescador, que se contenta com pouco, e não aproveita seu talento de pescador para conseguir mais peixes, vendê-los, enriquecer e então nunca precisar se estressar. O pescador não vê sentido na ideia, já que, contentando-se com os poucos peixes diários que pesca, ele já não se estressa mesmo.

Essa estória tem alguns elementos para se questionar.

1 - será que os equipamentos sofisticados de pesca realmente não pegam peixes? Se o episódio viesse a acontecer de fato, acho que o executivo se sairia bem.

2 - executivos costumam saber que conflitos geram desperdício de energia e de tempo. E executivos não gostam de desperdiçar energia e tempo. Um executivo se prestar a julgar e a criticar, a troco de nada, um companheiro de pesca recém apresentado não me parece provável.

3 - o autor da estória criou um pescador que se contenta com poucos peixes para se sustentar. Nunca convivi com eles, mas a imagem que eu tenho dos pescadores é a mesma que tenho de qualquer pessoa que dependa do seu trabalho para se alimentar, alimentar seus dependentes, morar, se deslocar, cuidar da saúde e poupar para uma aposentadoria: são gente que trabalha duro. Toda essa turma não tem escolha: é preciso trabalhar muito, o dia todo. Não para enriquecer, mas para sobreviver.

4 - os peixes que o pescador humilde pesca aos poucos todos os dias e toma por garantidos não são garantidos. Podem sumir, por exemplo, por causa da pesca predatória, ou por dano ambiental, que deixam o hipotético pescador humilde quebrado e possivelmente arrependido por não ter pescado um pouco mais e feito umas economias.

5 - no improvável cenário em que o pescador humilde consegue se manter por toda a vida com um peixe aqui e outro ali, pergunto: como ele faz para lidar com uma eventual dificuldade braba, como uma doença que só pode ser tratada gastando uma dinheirama?

6 - se o pescador humilde for acometido por um desejo de viajar o mundo, ou de viver experiências que, infelizmente, custam algum dinheiro, estará complicado se for depender de uns poucos peixes.

7 - se o pescador humilde for um ser humano como qualquer outro, pode sentir curiosidade diante das iscas artificiais e equipamento sofisticado de pesca do executivo, e pode sofrer por não possuí-los, ou por não poder matar a curiosidade de experimentá-las. Mas o pescador humilde da história parece não sentir nada diante dos curiosos objetos do executivo. É apenas o executivo quem sente um impulso incontrolável de agredir gratuitamente o pescador.

8 - se o pescador humilde resolver fazer uma doação de dinheiro para a caridade, não vai ter de onde tirar dinheiro. O executivo vai. E isso acontece com cada vez mais frequência.

Acho que a estória do executivo e do pescador não ensina muito sobre a realidade. Já o fato de essa estória ser popular nos oferece a possibilidade de refletir: como precisamos dessas estórias que nos permitem nos vingar, pelo menos nos sonhos, dos poderosos.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Um livro feito de muitos

De Alcy Cheuiche, em Com Sabor de Terra:

Um pequeno caminhão estaciona diante da casa de Erico Veríssimo na Rua Felipe de Oliveira, bairro Petrópolis, em Porto Alegre. Dentro dele estão algumas caixas com centenas de livros em português e espanhol. São as obras que o escritor escolhera para a grande aventura. Antes de iniciar aquele romance imenso, tinha que mergulhar a fundo na história do sul do Brasil.

E pensar que isso aconteceu. Ainda bem que o momento foi narrado para nós. Quem passasse na Felipe de Oliveira naquele dia e horário veria um caminhão carregado de matéria-prima para a construção de O Tempo e o Vento.

Cada livro entre as centenas, um mundo inteiro.

O Continente, um mundo. Um mundo feito de mundos.

                                           Excerpt (Riot) - Julie Mehretu

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Notícias - Manual do Usuário

Mais um ótimo livro do Alain de Botton.




O que o livro não é

Não é uma avaliação da confiabilidade dos noticiários, uma denúncia de fragilidades na verificação de fatos, ou uma exposição de parcialidades para com grupos políticos e econômicos. O livro do Alain de Botton parece ter sido escrito para povos de regiões do mundo onde os jornais já conseguem chegar mais próximo da isenção e da objetividade.


O que o livro é

A reflexão proposta é: presumindo que os jornais não mentem, o que há de errado com eles? Partindo da premissa de que não estão mentindo ou distorcendo, como podem ser melhorados?

E o que nos faz querer notícias com tanta frequência? Quais necessidades estamos tentando satisfazer quando procuramos nos jornais pelas seções de tragédias, celebridades, economia, cultura e fofoca? Não damos atenção demais aos jornais?


A influência dos noticiários sobre nós

Sociedades se tornam modernas, sugeriu o filósofo Hegel, quando o noticiário substitui a religião na sua função de fonte central de orientação e nossa noção de autoridade. Nas economias desenvolvidas, o noticiário agora ocupa uma posição de poder no mínimo tão importante quanto àquela antigamente ocupada pelas fés.
O noticiário requer que nós o aproximemos com a mesma expectativa deferente que já nutrimos pelas fés. Aqui, também, nós esperamos receber revelações, aprender o que é bom e o que é mau, compreender o sofrimento e entender a lógica da existência. E aqui também, se nos recusarmos a participar dos rituais, poderá haver acusações de heresia. 

Ao invés de irmos à missa dominical, lemos o jornal dominical. Ao invés de acreditarmos no que o padre disse que Deus disse, acreditamos no que o jornalista disse que a fonte disse.


De alguma forma, o noticiário consegue cantar uma música que soa como verdade.
 
O noticiário sabe como deixar seu funcionamento quase invisível e, portanto, difícil de questionar. Fala para nós com uma voz natural e calma, sem se referir às suposições que faz (...). O noticiário não nos informa de que não está meramente reportando sobre o mundo, mas constantemente produzindo um novo planeta em nossas mentes em linha com suas próprias e frequentemente distintas prioridades.
Nós nunca somos sistematicamente apresentados à extraordinária capacidade dos veículos de notícias de influenciar nosso senso de realidade e de moldar o estado do que podemos chamar - sem associações supernaturais - "nossas almas." 
Com toda a sua conversa sobre educação, as sociedades deixam de examinar aquele que é de longe o meio mais influente pelos quais suas populações são educadas.
Encasulados em salas de aula por apenas dezoito anos mais ou menos de nossas vidas, passamos o resto sob a tutelagem de veículos de notícias que exercem influência infinitamente maior sobre nós do que qualquer instituição acadêmica é capaz.
Como os revolucionários bem sabem, se você quer mudar a mentalidade de um país, você não vai para a galeria de arte, ao departamento de educação ou às casas dos romancistas; você leva os tanques diretamente para o centro nervoso do corpo político, o quartel general das notícias. 

Sobre o estilo e as escolhas de tema de Alain de Botton

Tenho lido livros e assistido vídeos do autor com frequência. Padrões estão ficando claros.

Um é que ele propõe tolerância esclarecida, que não se julgue com rapidez, que se tente olhar o que há de importante e bom naquilo que se costuma ver com maus olhos.

Sobre a tendenciosidade, por exemplo, diz o seguinte:
 
... deveríamos talvez ser mais generosos com o viés. Em sua forma pura, o viés simplesmente sugere um método de se avaliar eventos que é guiado por uma tese subjacente coerente sobre o funcionamento humano e florescimento. É um par de lentes que desliza sobre a realidade e procura focalizá-la melhor.

Sobre o assassino, propõe que quando olharmos para alguns detalhes de sua vida, ficaremos assustados com as semelhanças com as nossas vidas, e sobre o quão perto nós mesmos já podemos ter passado de provocar uma tragédia.

Sobre a frustração causada pelos fracassos, que pensemos sobre quantas coisas fora do nosso controle prejudicaram o atingimento do nosso objetivo. Sim, ele sugere que encontremos agentes externos que possamos culpar. Não é uma leitura para descer fácil pelas gargantas dos gurus da administração ou dos escritores de manuais de sucesso.

Também faz parte do Alain escrever parágrafos perspicazes. Este é para guardar.
 
Nas artes visuais, ter perspectiva significa uma capacidade de ver coisas diferentes em suas relações espaciais reais: o que está longe parece distante e menor, o que está perto parece próximo e maior. Foi surpreendentemente difícil para artistas aprenderem como obter perspectiva numa tela - o que sugere que a manobra pode ser igualmente desafiadora em outras áreas de nossas vidas.

E ilustra suas ideias com boa arte.


Philippe de Champaigne, Vanitas, c. 1663


Sobre o que sobra, e sobre o que falta nos jornais

O parágrafo acima certamente pode ser apreciado sozinho, mas é gancho para outros dois marcantes, conectados com o tema do livro.
 
Aplicado ao noticiário, ter perspectiva envolve uma habilidade de comparar um evento aparentemente traumático do presente com experiências da humanidade ao longo de toda a sua história - para se chegar ao nível de atenção e medo que deveria razoavelmente despertar.
Com perspectiva em mente, nós logo notamos que - contrariamente ao que os noticiários sugerem - praticamente nada é totalmente novo, poucas coisas são verdadeiramente assombrosas e bem pouco é absolutamente terrível.

E nesse ponto, vejam só, sinto vontade de adicionar um parágrafo ao livro! Seria mais ou menos assim:
 

Com perspectiva em mente, rapidamente notamos também que faltam coisas nos noticiários. Tratam de acontecimentos corriqueiros como se fossem pontos de virada da nossa história, mas talvez o que torna o jornal um problema seja o que não está lá. Sua pretensão de reunir o que é relevante, de mãos dadas com sua seletividade. Não seria importante que esse veículo onipresente nos lembrasse de tempos em tempos que o mal que infligimos aos animais pode ser o mais intenso, duradouro e volumoso sofrimento infligido na história da vida? E que o dinheiro que se gasta com água mineral para evitar um suposto mal gosto da água da torneira seria suficiente para bancar cirurgias restauradoras de visão para milhares de cegos que não podem pagar?


Sobre a pimenta nos olhos dos outros

Sob a fúria, você pode perceber uma crença de que os problemas do mundo são basicamente solúveis, que apenas não estão sendo tratados ágil e decisivamente o bastante pelo simples motivo, que cada novo dia comprova, de que nós somos governados por safados e idiotas. 
Nós perguntamos impacientes e eventualmente furiosos: por que eles simplesmente não...? 

Um reality show que eu adoraria assistir seria ver âncoras ou colunistas tendo que exercer funções governamentais. O Boris Casoy tendo que elaborar e conseguir aprovação para um orçamento nacional anual, por exemplo.

Os jornais estão dando alguma contribuição ao nos convidar a nos sentir gênios governados por estúpidos? Não há reflexões mais valiosas a serem feitas? Por exemplo: o que impede que grandes poderes e recursos resolvam nossas dificuldades do dia para a noite? Caso um grande problema fosse resolvido com a primeira solução que nos veio à cabeça, que problemas novos surgiriam?


Noticiário sobre corrupção
 
 
Mesmo se todos os plutocratas ministros poderosos fossem trancafiados, nações continuariam com um número perturbador de problemas para administrar. Nós provavelmente esqueceremos muitos assuntos de importância se continuarmos procurando por malvados do tipo que um jornalismo estilo Watergate sabe identificar.

Não há ninguém que possa ser preso pela dificuldade de se encontrar uma vizinhança minimamente atraente para se morar e que caiba no bolso. Ou pela quantidade de empregos que pagam pouco. Ou pela indiferença de chefes desagradáveis.

A prisão de um bandidão pode nos dar um período de satisfação profunda, mas a esperança que ela inspira pode ser enganosa, argumenta Botton. 
 
 
Ao mesmo tempo, isso é uma coisa desanimadora e boa de se ouvir, porque leva a um sentimento de que toda a corrupção de grande escalão que vemos não é nem a fonte dos nossos maiores problemas.

A raíz de todos os males do noticiário

Os jornais alimentam a ilusão de que dão atenção para os temas mais importantes. Que identificam os piores elementos do país e pressionam para que sejam presos. Que nos informam das ameaças mais importantes ao nosso bem estar e existência. É tudo mentira.

Por que os jornais se comportam assim?
 
 
As necessidades financeiras das companhias jornalísticas implicam que elas não têm condições de promover ideias que não agradem muito rapidamente um número enorme de pessoas. Um artista pode viver decentemente vendendo trabalhos para cinquenta clientes; um autor pode tocar a vida com 50.000 leitores, mas uma organização de notícias não consegue pagar suas contas sem ser acompanhada por uma população de uma metrópole razoavelmente grande. Que níveis de concordância, quanta supressão de idiossincrasias e estranheza conveniente serão necessários para produzir material suficientemente palatável para tanta gente... sabedoria, inteligência e sutileza tendem a não se propagar por populações em blocos de 20 milhões de pessoas.

Sobre a idolatria de celebridades

Por que idolatramos celebridades? O autor menciona duas possibilidades.

A primeira é a mais comumente aceita: o cidadão que idolatra uma celebridade não está suficientemente engajado nos próprios projetos, ou comprometido com sua vida real. Ele escolheu escapar da sua própria vida porque não sabe como levá-la. Preferiu escolher e acompanhar a vida de ídolos. Uma atitude auto-degradante e infantil, que parece passiva e inferior, uma confissão de inadequação.

A segunda é que o impulso de admirar é um elemento inerente e importante das nossas psiques. Se tentarmos combatê-lo ou ignorá-lo, não vai adiantar. Na melhor das hipóteses, podemos esconder o impulso embaixo do tapete, onde ficará livre e subdesenvolvido, esperando para se agarrar a alvos inesperados.

Essa segunda possibilidade nunca havia me ocorrido. Adoraria ouvir um expert discorrendo sobre a validade dessa afirmação. Consigo imaginar como as vontades de se vingar, de se exibir, de fugir e de descansar foram parar nos instintos e psiques dos nossos ancestrais. Mas como é que uma vontade de adorar uma celebridade foi se tornar inerente à nossa mente antes da existência das celebridades, ou dos jornais, ou da escrita?

Eis a especulação de quem nunca pisou em uma formação em biologia ou psicologia: diante de um competidor da mesma espécie que é mais rápido, mais forte ou mais inteligente, pode ter sido uma vantagem evolutiva se submeter e demonstrar reverência para:

  - evitar um combate desfavorável;

  - ser visto pelo competidor como inofensivo e então ser aceito no grupo que lidera;

  - observá-lo para tentar aprender seus truques, adquirir suas vantagens e ter mais chances de sucesso em um novo enfrentamento, seja contra o mesmo oponente ou outro.

Deixando minhas especulações de lado, e partindo do princípio de que o autor está certo, temos todos um impulso incontrolável, às vezes disfarçado, de reverenciar uma celebridade. E o que o autor sugere é não tentar suprimir o impulso, mas canalizá-lo em uma direção inteligente e fértil.

A celebridade é um humano normal - isso eu acho que nem sempre - que realizou façanhas extraordinárias através do trabalho duro e pensamento estratégico. A pergunta fundamental quando estamos diante delas deveria ser: o que posso absorver dessa pessoa?

Os jornais não nos ajudam a encontrar a resposta para essa pergunta. Nem quando tentam. Não é publicando uma entrevista de um minuto com o Usain Bolt que um jornal vai ajudar um leitor a entender como é que alguém se transforma no mais rápido de todos os tempos.


Ode à literatura e à arte

Jeito certo de ganhar simpatia do leitor é falar do quanto a literatura é maravilhosa. O leitor gosta de ouvir que a atividade de que mais gosta - a leitura - é a coisa mais importante que existe, e estará propenso a comprar mais material de quem alimenta essa sensação. O Alain de Botton é do clube que toma parte nessa excitação mútua. Com ele, a palavra:
 
 
O noticiário, como a literatura e a história, podem servir como os instrumentos mais vitais, um "simulador de vida" - como uma máquina que nos insere em uma variedade de cenários que vão muito além do que qualquer coisa com que normalmente temos que lidar, e que nos concede uma chance de, sem risco e conforme nossa vontade, aperfeiçoar nossas melhores reações.
A arte... é um meio terapêutico que ajuda a guiar, encorajar e consolar seu público, ajudando-o a evoluir para melhores versões de si mesmo.

O jornal como fuga

Depois de expor tantos defeitos dos jornais, o autor encaminha o livro para nos lembrar da importância de ignorá-los pelo tempo adequado.

Quando estamos ansiosos e inclinados a escapar de nós mesmos, o que seria melhor, mais imersível e mais respeitável do que ler o noticiário? É a desculpa ideal e séria para não prestar atenção a muitas coisas que podem importar mais.

O jornal pode atrapalhar nossas calmas manhãs de sons de passarinhos e luz atravessando a cortina, nos trazendo histórias de sucesso de empreendedores adolescentes que nos provocam inveja. Ou então fofocas que nos levam a sentir satisfação com o fracasso alheio, quando estivermos frustrados por não receber a atenção ou o dinheiro que gostaríamos.

A inveja é benéfica em doses moderadas. Nos lembra do que podemos atingir se fizermos esforço.

Mas não conseguiremos progredir se formos lembrados a todo instante, pelos jornais, de que aquilo que queremos, e muito mais, já foi conquistado por super-humanos.


Para encerrar

Esse livro é excelente. São horas garantidas de aproveitamento dos prazeres da lógica. É daqueles que a gente lê e dá vontade de sair comentando com a primeira pessoa que passar na rua. Nota dez.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Truth

Truth is available to all who are willing to work to achieve it, but truth is certainly not commonly possessed by all and is no one´s birthright.
Nightfall (The Gleaners) (1895)
Thomas e Turner. 

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Natureza, Indústria e Capelas

I felt able to share with the group some of my own tentative notions for businesses as yet missing from the world economy, including a new kind of holiday company which would take tourists around industrial locations rather than museums...


... a chain of secular chapels which atheists could visit to appease their confused religious yearnings


De Alain de Botton

terça-feira, 24 de maio de 2016